quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Escravidão moderna


Trabalhe
Trabalhe
Condenado
Assine o tratado
Nada de abolição
Seja prole
Respeite a burguesia
Sem heresias
De que vai ser libertar

Nada de luta armada
Nem questione sua posição
Exerça sua função
Permaneça calada
Aceita a remuneração

Produza
Reduza seu descanso
Fique com seu tostão
Caleje essa mão
Que eu quero resultado
No topo do capitalismo
Quero minha engrenagem
Me dê passagem

Esqueça essa história
De direitos trabalhistas
De ser gente de revista
De ter pão e diversão

Eu quero mais é dinheiro
Prosperar no mundo inteiro
Deixar de ser esse sujeito
Que só sofre
Essa ação.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Nada TINHA

Cheio de pedregulhos
Obscuro e sem vida
Agoniada eu seguia
E no meio daquele caminho áspero
Que vinha percorrendo há tempos
Me permite olhar ao lado
E perceber
Que companhia tinha
E que havia muito
Pra acontecer
E foi num instante de impulso
Que senti seu pulso
Junto ao meu
Me agarrei naquilo
Como minha única salvação
Pra enfim sair
E poder respirar
Ver as cores
E viver aquilo
Que só noutros eu via
E sua mão me foi tão amável
No momento exato
Que medo senti de não retribuir
Mas o mundo lá fora
Foi tão genoroso
E tão proveitoso
Que não pude esquecer
Que sabor que tinha
Toda a alegria
Que contigo pude ter
E entre as frestas
Eu vi a luz que precisava
E constatei a minha saída
Definitiva e aliviada
E pude beijar a mão amada
Que de lá me tirou.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Antíteses Mentais


Des[ama]
Des[humaniza]
Des[provém]
Des[temer]
Des[espera]
Des[controle]
Des[conforto]
Des[ilusão]
Des[alento]
Des[entende]
Des[contente]
Des[bloqueia]
Des[qualifica]
Des[alinha]
Des[ata]
Des[preocupa]
Des[caracteriza]

Tanta coisa pra sentir
Des[ligada] ligada, ligada ...
220 volts

sábado, 23 de agosto de 2008

Compasso


Dança aquela música
E pensa noutra
Que virá a seguir
E isso atrapalha
O ritmo que se dá
Os movimentos
Instrumentos
E até seu par

Absorve as notas
Sente o timbre
Ocupa o espaço
Harmonicamente
Rodopia, salta, encanta
Cadencia o momento
Seduz as notas
Propaga no ar
Quebra normalidade
Sente de verdade

Mude, mude
Mais uma canção
Tenha mais ação
Controle a emoção
Tenha maturidade
De saber que a musicalidade
Nunca há de acabar.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Novidade

É o que pensam
O que sussuram um ao outro
O curto espaço
As canções que dedicam
Os corpos enlaçados
O tempo estagnado
As sensações
O ato e efeito
Novidade é o que ele representa pra ela

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Semântica real

Caso reto
Oblíquo
Substantivo
Indefinível
Invariável
Possessivo
Eu, tú, ele
Nós [eu, noutra ponta você], eles [ele e ela]
Tú e o mundo
Ele e ela
Eu e eu

Redescobrir

Frente e verso

Direita e esquerda
Pra frente pra trás
Fora de alinhamento
A todo momento
Em qualquer ocasião
Reciclando, reinventando

O seguinte cênico

Amontoando as mudanças
Recolhendo esperança
Os sonhos de criança
Saciando a vontade de ver

Resíduos, previsões e influências
Reescrevendo a história
Fazendo a memória
Do que ‘inda hei de ser!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças



'Feliz é a inocente vestal!
Esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças
Toda prece é ouvida, toda graça se alcança'

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Império do pão e circo


240 minutos
que valeram por todo um dia
brilhos no céu
e nos olhos de todos
nações, hinos, cores
todos num só
conectados por uma ocasião
falando a mesma línguas
labial ou corporal
fascinados pela exuberância
e esquecidos da matança
da pobreza e da tristeza
de quem pagou pela sua diversão
no dia em que a terra parou.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Indi[gente]


Um qualquer
Sem sola do pé
Sobrenome ou nome
Sem rumo
Tampouco amanhã
Desprovido de privilégios
[Sobre]vivendo de fé
A margem de tudo
Sem pretensão
Nem sequer ação
Não entoa canções
Não declama
Só clama
Pelo final
Orfão de louvores
Amores e até de dores
Um bicho sem habitat
Sem fêmea ou filhotes
Nem com sorte ele pode contar
Só lhe resta seguir a sina
E esperar o derradeiro passo

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Esquematize

Espere
Ignore
Supere
Aguente
Tente
Invente
Seduza
Usa
Desvie
Subentenda
Surpreenda
Prenda
Tire a respiração
TODA!

Des-espero alheio

Quando me vi em meio a filosofias de banheiro
Percebi o tal desespero que tinha ao meu redor
Deles para comigo
Uns para me tirar
Outros para insistentemente me jogar
E uns terceiros apenas para parecerem receptivos
Até os que de minha boca não dirigi palavra alguma
Desejando sorte, coragem e camuflando a pena