sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Elas, só elas!


E sempre entre labirintos
Me volto nelas,
Recorro, rogo
Ahhh sempre elas
Inúmeras, delirantes!

Donas de imensidão
Um poder desmedido
Fragmentadas ou reunidas
Todo encanto, todo horror
Nelas estão
Juntos ou não

Ora não sei como levá-las
Outras convenço-me de que sei
Corretamente manuseá-las
E outras tantas então elas escoam-se

Me embebedo delas
As devoro, adoro
Possuo, desejo
Uso, abuso
Lhe faço tanto uso

Contudo sempre percorro a elas
Oh, tanto quebranto!
Com devoção sublime
Em busca dessa formosura
Atrás dessa salvação
Elas, as insaciáveis palavras
[sejam elas lidas, faladas, cantadas ou declamadas].

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Reminiscências




Como posso amá-lo inteiramente?
Se não estou em ti nem leio vossa mente
Nem sei das sobras do passado
Nem tão pouco seus valores no futuro
Cansei de imaginar-te
No túnel incerto e escuro
Dizendo-me adeus querida
Não sou parte de você
Nem de sua vida
Sou dela
De uns tempos atrás, daquela
Que se foi mas deixou vestígio
Que está em mim de qualquer maneira
De certo, por inteira

[JL - troca de e-mails]


'Não dá mais pra fingir que ainda não vi
As cicatrizes que ela fez
Se desta vez ela é senhora deste amor
Pois vá embora, por favor
Que não demora pra essa dor... sangrar'


Los Hermanos, sempre ... Los Hermanos

sábado, 20 de setembro de 2008

Paralelo




Daqui não ouço e nem vejo
Me abstenho de tudo isso
Como se todo o horror viesse a mim
E violentamente quissese me livrar
Da loucura infame que se estabelece
Da dor que enlouquece
Que vontade de num grito esmagar
E estraçalhar tudo
Que me expreme nesse canto imundo
Que censura meu ser
Me apunhala pelas costas
E me toma o sossego
As desgraças de terceiros
Alastradas ao redor
O descasso com que olham
A mentira que adoram
Tudo me atormenta
Emudece meu cantar
Me escondo entre páginas
Me lamento em palavras
Me silencio em canções
Me alimento de paixões
Recolho minha hipocrisia
Alimento o que repugno no dia-a-dia
E a mudança não chega
Não a ouço, nem a vejo
Não consigo omitir
Eu quero fugir daqui

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Intitulável

Entre passos e pés de jabuticaba
Da infância terminada
Tudo começou

Anos de caminhada individual
Até o derradeiro anual
Onde tudo recomeçou

Um livro nos uniu
Afinidade ressurgiu
Dessas coisas de adolescente
Que logo quer ser gente

E entre encontros noturnos
Durante deliciosos anos
Foi se perdurando
Foram se amando

Mas num tempo obscuro
De mudanças iminentes
Amadureceu na gente
A vontade de crescer

Pseudoanálises fizeram ver
Sentir e perceber
Que é bem maior
E que pode ser melhor

E entre dores divididas
Ausências e partidas
Oh belo e querido amigo
Sua hei de sempre ser'


[retribuindo um capricho poético]

OBS: 'toda folha elege um alguém que mora logo ao lado'

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

44640 segundos



Pra eles mais uma caixa
No chão
Preta, sem sentido
Pra mim um começo
Um selo
Um símbolo
A celebração
De insanidades, felicidades
Partilhadas
Anexadas

Uma noite entre tantas eternizada
Revivendo 31 dias atrás
E já dizia a canção daquele momento:

'Pra nós todo amor do mundo, pra eles o outro lado'

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Relativo a tempo


O relógio parou
Travou
O ponteiro não contribui
Gravou no meu peito
O desespero desse sujeito
De ver esse tempo passar
Da hora chegar
O momento ocorrer
Ah e correr ...
Sereno
Pensamento apegado
Tudo assim ...
Agregado

E eu poderia ficar inúmeras horas descrevendo toda essa espera. [e TUDO isso]





OBS.: Conversas com pisciano na mesma sintonia, um amor, cookies de limão e Los Hermanos me inspiram.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Primitivo [de muitos]


O céu de testemunha
Nuvens e estrelas a olhar
Bruma, grama, lua
Enamorados
Dedos entrelaçados
Deixando vencer a vontade
Matando a saudade
Do que já tinha de ser


E vem crescendo
Preenchendo
[quilômetros de paixão]