sábado, 25 de abril de 2009

Ao tempo



Meu caro ininterrupto e eterno

Oi, como vai você ?
Tô escrevendo assim sem endereço ou remetente pois não sei aonde você está e nem qual identidade está usando dessa vez, sempre escorrendo pelas minhas mãos, correndo por entre os becos e me deixando aqui 'a ver navios'. Te procurei nas esquinas, por detrás da árvores e até no vento e nada de comprender tal paradeiro.
Embora eu não veja efeito algum nessa investida, de teimosia, que você mesmo sabe que tenho muito, vou seguindo essas linhas e afrontando minha própria sanidade. É ... você sempre me veio e se foi tão rápido que eu até questionava os devaneios em excesso prevendo sua impossível volta e me prendendo em pensar em você lá na frente.
Confesso que tenho mais direcionado meus pensamentos no tal do futuro que me deixa obstinada do que naquele passadinho medíocre que me acompanhava, mas e o agora? Tenho me esquecido dele, nessa frenética busca por você, me esqueci de olhar nos lugares mais óbvios e após uma breve olhadela constatei: você está ai, seguindo seu curso e depende só de mim a sua intensidade, velocidade e acima de tudo o quanto vou te acompanhar.
Termino aqui prometendo tirar de suas costas todas as coisas maus explicadas e todas as responsabilidades que insisto em adiar. Te encontro em muito breve!

Atenciosamente,

Larissa

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sobre o que se foi, é e será

Não sei se nasci agora
Ou se faz um bom tempo
É nascimento atrás de morte
E um renascimento no meio

É montanha
É moinho de vento
É chocolate e capuccino

É poema
É cinema
É um punhado de cd's

São umas fotos
Uma caixa de recordações
E a desvantagem de crescer

É um minuto
Que atropela o segundo
E faz-se instante

E a alma inquieta
Que deixa lá a calma
E faz esse turbilhão

Sei que meu escrever
Quando eu ler de novo
Já não vai ser

Ei de traçar as linhas
Sentir o sabor desse meu ser
Em instantes querer morrer
E a outra ser

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Pela direita, Pela Esquerda



Você quem é?
Está ao meu lado
Há anos sentado
No mecanismo dessa gente

Quem é você?
Que me parece decente
E nesse primeiro olhar
Me mostra tristeza aparente

Será você?
Conhece essa gente?
Conduz um bem comum ?
Ou é apenas mais um ?

Pela direita, pela esquerda
Retorcedendo e adiante
A cegueira me domina
O desconhecimento é constante

Seja você quem for
Quero te conhecer
Saber de tua luta
Do teu bem querer

Olhar para o lado
Poder te saudar
E dar sentido
Para tudo que há de chegar

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Transitório

Vontade de escrever
Meio nonsense
Sem explicação
Pretensão passa longe
Idéias vagam pelo chão
Sentimentos desorganizados
Agonia em remoção
O desejo me possui
Com a loucura em questão
Reproduzo em teclas
O que me açoita
Em vão.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

No meio do meio



Buzina-pessoas-sinaleiro-carros-carroça
outdoorsfeira na rua-comércio-acidente
faixasplacasparafernalhas eletrônicas
fumaçatossecalor-gritos
ondetudotemopoderdetornarseTUDO

Partículas e partículas
Ascensão do caos
De assalto a euforia
Essa anarquia cotidiana
Semana, mês, ano vai

Soneca de olhos abertos
Ondas sonoras no meio
Refeição em frente ao volante
Celular no coração, coração no celular
Perigo constante, olhe adiante

Duas rodas, quatro rodas
Duas portas, quatro portas
Modelo, cor, ano
De terno a trapos
Três, dois, um

Uma solidão conjunta
Tudo torna-se só
Amanheço, entardeço, anoiteço
Eu vou no vento
Eu corro demais