segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Esquematize

Espere
Ignore
Supere
Aguente
Tente
Invente
Seduza
Usa
Desvie
Subentenda
Surpreenda
Prenda
Tire a respiração
TODA!

Des-espero alheio

Quando me vi em meio a filosofias de banheiro
Percebi o tal desespero que tinha ao meu redor
Deles para comigo
Uns para me tirar
Outros para insistentemente me jogar
E uns terceiros apenas para parecerem receptivos
Até os que de minha boca não dirigi palavra alguma
Desejando sorte, coragem e camuflando a pena

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Todos eles e você e até ele
Que de nada ainda sabe
Permancem hostis
A toda essa complexidade
Despreocupados
Julgando minha insanidade
Com olhos de suas moralidades
Desprezando a subjetividade
Eu dispenso essa previsão
Do que nem há de ser ainda
E me reservo nas minhas possibilidades
Maldades e sensibilidade.

sábado, 26 de julho de 2008

Migalhas de um maltrapilho


"Numa noite longa, dois maltrapilhos se reúnem para contar moedas, estão fujindo cada um de uma coisa particular, mas em suas solidões individuais sentem a força de dois solitários unidos"

Argemiro (J) : Você trouxe tudo?
Severino (L) : Depende do que você considera tudo
Argemiro: Seu burro! tudo que precisamos..ora
Severino: Nem sei mais do que preciso
Argemiro: Isso é por causa dela?
Severino: É muito por causa dela, mas é também da culpa pela outra, da vida, da morte e da miséria que eu sinto aqui em mim
Argemiro: Miséria, Miséria é o que sua mãe pariu
Severino: Talvez possamos por fim nessa desgraçada miséria que ocupa em vão um espaço nesse mundo
Argemiro: Você qué ocupar ainda mais espaço no mundo? (levantando a camisa de Severino para mostrar a barriga saliente)
Severino: Não é do físico que eu falo seu ignorante, olhe a sua volta (gira o corpo de Argemiro)
Argemiro: Tudo que vejo a minha volta é... (bufa com desânimo) é você!
Severino: Mas é muito mais que isso, não pense só em corpos, pense em ar, em raios solares, na imundice a que nos sujeitamos, em tudo, tudo é alguma coisa (olha ao redor em estado de fascínio)
Argemiro: Você bebeu todo o conhaque?
Severino: Não tô bêbado, só tô vendo as coisas diferentes, não sei o que se passa aqui na minha cachola
Argemiro: Ou é miopia ou é retardo..ou (ri descontrolado mas curto) os dois!
Severino: Que tapado, não dá pra você uma vez nessa desgraça de vida me entender? No fundo você pensa assim também, compartilhamos de alguma coisa juntos, temos um elo entre nós.
Argemiro: O que você propõe? uma revolução? uma guerra civil, uma ceita, a morte?
Severino: Eu não sei o que propor sozinho, eu não consigo colocar as minhas idéias em ordem, e você o que propõe?
Argemiro: Eu proponho agente se casar... (faz biquinho de beijo pro Severino)
Severino: Cê tá me zuando né? Tenta pegar a essência do que eu disse sem irônia por favor
Argemiro: Pegar essência é coisa de frutinha né...

(momento de silêncio)


Argemiro: e quem cala, consente!

Severino: Me calei por perceber que você não leva a sério nada do que eu falo, você só tem a mim ... e eu a você!

[Larissa Tavares e Joseane Nogaroto]

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Caminhada tortuosa

Agoniada
Ofegante
Falta oxigênio
Formigamento corporal
Suor entre os poros
Madeixas ao vento

Desce perna, ergue perna
Com mais ritmo, corre, corre, corre

Tortura mental
Formas sem encaixe
Overdose de pensamentos
Cores desnexadas e fortes
Batimento acelerado

Lentamente, despretenciosa
Menos ritmo, respirando, buscando forças

Calmaria
Fora da órbita
Segmento sem alcance
Labirinto
Distinto
Cadê o precipicio ?
Doce ilusão
Cheguei em casa.

Excuse-me

Se te deixei sem minha voz,
Ou sem a tua
Sabes lá, qual maior falta faz
Mas não pode
Dizer-me que por um segundo
Não te amei em tudo
Não te desejei inteiro
Quando galanteiro
Ou quando mudo

[Joseane Nogaroto]

sábado, 19 de julho de 2008


'Deixa eu decidir se é cedo ou tarde
Espere eu considerar ...

Uhh.. Ah, ah, aaaah
Uhh.. Ah, ah, aaaah'