Atormenta-me sua existência, que veio a despeito da minha vontade, existência que veio sussurando-me a dilacerante verdade: "não há mais paz onde achas que há!"
Atormenta-me teus dias mais curtos que os meus, sua beleza efêmera das maçãs comuns, sua imbecilidade jovial e até tua distância, que deveria aliviar-me, traz mais transtorno e escuridão a melancolia que fez casa no meu peito.
Roubou meus dias, meus lugares, minhas canções, meus gostos, meu último gole de vida. Forçou-me a reinventar-me num curto espaço de tempo.
Anseio pela morte de sua figura com a mesma intensidade que desejo no escuro de cada madrugada o último suspiro desse coração dilacerado meu. Só nós sabemos que não há lugar pra três onde encontram-se dois.
quarta-feira, 21 de março de 2012
sexta-feira, 9 de março de 2012
quarta-feira, 17 de março de 2010
18+2
Eu fiz o tal dos 20 e nada mudou. Mudar, mudar não mudou, mas se eu disser que não pesou vai ser uma grandissíssima mentira. A vida adulta que quando mais nova (até ontem) queria tá batendo aqui e eu tô querendo passar ela adiante, quem quer ela nesse instante?
Carro, conta, trânsito, chefe, casa, roupa, papéis, falta de tempo ... Bem que minha mãe avisou que esse momento não ia demorar para acontecer.
Não que eu queira ficar estagnada ou viver enganada achando que não chegou a hora de crescer, mas se puder de alguma forma esperar pelo menos mais cinco minutos para digerir isso tudo eu iria agradecer.
Carro, conta, trânsito, chefe, casa, roupa, papéis, falta de tempo ... Bem que minha mãe avisou que esse momento não ia demorar para acontecer.
Não que eu queira ficar estagnada ou viver enganada achando que não chegou a hora de crescer, mas se puder de alguma forma esperar pelo menos mais cinco minutos para digerir isso tudo eu iria agradecer.
TRADUZIR-SE
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
Despretencioso
E de inquieta que vou, por vezes penso não ser mais incessante.
Eu fui embora e quero muito poder voltar.
Eu fui embora e quero muito poder voltar.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Talvez uma ode
Palavras jogadas, café na xícara, pensamento atordoado, unhas roídas, os pés e lábios aflitos, planos postos sobre o papel, amassados e jogados, planos reescritos, grifados, em letras garrafais, o olhar atento, os lábios cerrados,o pensamento interrompido pela obrigação, a saudade, a alegria, a ansiedade ou qualquer outro sentimento sem nome ...
Mais um ano para tentar dar nome a tudo isso que se passa aqui.
Mais um ano para tentar dar nome a tudo isso que se passa aqui.
Olha lá quem vem e quem se foi
Rompi as tradições dos meus anos anteiores: não registrei aqui meu adeus a 2009. Eu até que pensei em milhares de coisas a dizer, pensei em prosa, poesia e até em um conjunto de palavras sem noção, pensei em imagens, paisagens e as saudades do que passou. Pensei muito, escrevi nada. Talvez agora eu consiga:
2009 foi um ano ... Não sei realmente que adjetivo atribuir, talvez um ano misto, misto me soa feio, mas não sei ainda que outra palavra atribuir. já pensei em dizer que 2009 foi o ano das palavras, e foi, mas também foi ano de alguns adeus doloridos, de abraços falsos, de novos amigos, foi o ano inteiro com meu amor, um ano que ultrapassei o abismo da raiva e passei para a querer conhecer melhor alguém que eu tanto detestava e nem sabia dizer o porquê. Foi um ano de culpa, de medo do atraso, de fazer 19 anos e sentir um leve peso da vida nas costas. Foi um ano de olhar para trás e ter a sutil certeza de que talvez foi um dos melhores anos, salvo uma correção aqui e um arrependimento acolá. Foi um ano que eu odiei meu trabalho e procurei no estudo a salvação para essa prisão diária e ainda estou esperando minha alforria, foi um ano que descobri alguém e amei no primeiro momento e agora eu disse a ela que quando sentir pena de quem se tornou não vai mais haver amor. Foi um ano (não me importo de repetir e ir contra a corrente gramatical) em que eu afirmei mais uma vez quem é realmente meu amigo. Foi um ano de tanta gente, tanto riso, outro tanto equivalente de choro, tantas fotos espontâneas, tanto chocolate, tantas bebedeiras. Foi um ano de dor alheia, sofri com cada amigo e também reconstrui a minha maneira cada pedacinho do coração deles, afim de nunca mais se quebrar e nem ficar longe do meu.
Eu poderia discursar sobre 2009 o ano inteiro de 2010, lembrar dos pormenores, sofrer com algumas ansiedades e medos que inevitavelmente trouxe para 2010, mas hoje eu escolhi deixar o ano com as palavras daqui, não deixá-lo todo, nem sequer esquecê-lo, afinal 2009 faz parte do que sou em 2010 e serei em 2011 e eu coloco tanta esperança em 2010, tanta, que ele nem imagina o quanto quero que ele dê certo.
Hoje eu só quero viver 2010 sem culpa, na paz, na eterna sensação de recomeço, ano após ano. E agradecer a todos vocês: os que vejo todo dia, os que vi uma única vez no ano, os que não estão mais aqui, os que falei uma única vez no msn. Somei 2009 a vocês e ficou a experiência de muito mais que só um ano.
2009 foi um ano ... Não sei realmente que adjetivo atribuir, talvez um ano misto, misto me soa feio, mas não sei ainda que outra palavra atribuir. já pensei em dizer que 2009 foi o ano das palavras, e foi, mas também foi ano de alguns adeus doloridos, de abraços falsos, de novos amigos, foi o ano inteiro com meu amor, um ano que ultrapassei o abismo da raiva e passei para a querer conhecer melhor alguém que eu tanto detestava e nem sabia dizer o porquê. Foi um ano de culpa, de medo do atraso, de fazer 19 anos e sentir um leve peso da vida nas costas. Foi um ano de olhar para trás e ter a sutil certeza de que talvez foi um dos melhores anos, salvo uma correção aqui e um arrependimento acolá. Foi um ano que eu odiei meu trabalho e procurei no estudo a salvação para essa prisão diária e ainda estou esperando minha alforria, foi um ano que descobri alguém e amei no primeiro momento e agora eu disse a ela que quando sentir pena de quem se tornou não vai mais haver amor. Foi um ano (não me importo de repetir e ir contra a corrente gramatical) em que eu afirmei mais uma vez quem é realmente meu amigo. Foi um ano de tanta gente, tanto riso, outro tanto equivalente de choro, tantas fotos espontâneas, tanto chocolate, tantas bebedeiras. Foi um ano de dor alheia, sofri com cada amigo e também reconstrui a minha maneira cada pedacinho do coração deles, afim de nunca mais se quebrar e nem ficar longe do meu.
Eu poderia discursar sobre 2009 o ano inteiro de 2010, lembrar dos pormenores, sofrer com algumas ansiedades e medos que inevitavelmente trouxe para 2010, mas hoje eu escolhi deixar o ano com as palavras daqui, não deixá-lo todo, nem sequer esquecê-lo, afinal 2009 faz parte do que sou em 2010 e serei em 2011 e eu coloco tanta esperança em 2010, tanta, que ele nem imagina o quanto quero que ele dê certo.
Hoje eu só quero viver 2010 sem culpa, na paz, na eterna sensação de recomeço, ano após ano. E agradecer a todos vocês: os que vejo todo dia, os que vi uma única vez no ano, os que não estão mais aqui, os que falei uma única vez no msn. Somei 2009 a vocês e ficou a experiência de muito mais que só um ano.
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