sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

She given up talking

Está só e cheia de histórias. Elas pululam incessantemente de todos os lados.

Quando os filmes terminam, pra ela as histórias não acabam não.
Além disso elas brotam de uma canção.

Em casa fita objetos e as histórias põem-se a saltar
No pote de manteiga tem a família infeliz: traição, contas atrasadas e gente mau amada.
Na garrafa d'água tem o mar que tirou um tempo para descansar de tanto (a)mar.
Na janela tem a menina que espera ver além dela.
No chão, na bula de remédio, no colchão ...
Enquanto as tem nunca se deita só não.
Acha-se histórias em doses cavalares por todos os lugares.

É que há tempos ela desistiu de falar, contenta-se agora apenas em imaginar.
A realidade não rima, então prefere seguir de história em história,
A vida lhe parece assim mais afável.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Sobre um combinado

Piscianos anseiam e acreditam em bons ventos mesmo quando se vêem em meio a um sertão de desencanto.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Ninguém naquela cidade ostentava um sorriso tão frouxo e fingido quanto o dela e uma consideração tão simulada quanto a minha.
Um queria ser menos infeliz, o outro menos cético.
Em tempos como esses as máscaras são de grande valia.
Amanheço melancolia
Almoço tormento
Janto agonia
Durmo no tempo
De precipício em precipício
Sigo em vício
Tardo o amanhã

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Olhou-se no espelho,
Mais parecia uma janela onde se desconhece quem está do outro lado.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Ando me esquecendo nos lugares
Nas ruas, nos muros

Ando me esquecendo nas fotos
Nas cartas, nos livros

Ando me esquecendo no vento
No tempo, na chuva

Ando me esquecendo no fundo do copo de cerveja
Na taça de vinho, no prato de comida

Estou me esquecendo.
Me esquecendo
esquecendo.