domingo, 27 de setembro de 2009

120 minutos de encanto

Inspirado na deliciosa noite de ontem.

Subo as escadas e me deparo com as cortinas e as poltronas prontas para aconchegarem os amantes da música e da interprete que se seguirá. As pessoas vão chegando aos montes, aos poucos, sozinhas. Vagarosamente, frenéticamente. Bem trajadas, de ergumentária simples. Entoa a canção. Olhares atentos, risos, troca de palavras ao lado. A canção que se segue! Ah que bela canção, para uns nostalgia, para outros diz tudo do futuro, outros tantos se lembram do amor do passado, um amigo distanciado. Uma música que embala tantas vidas ainda vivas e outras não mais pungentes. O aroma exalado é singular e nunca igual, são combinações de perfumes, bem como de personalidades, de estilos ... são eternos agrupamentos por um mesmo motivo, mas nunca uma mesma interpretação, cada qual traz ao seu modo a linguagem expressada a frente das coxias e dos olhares da platéia. São Marias, são Josés acompanhados de sobrenomes esplendorosos ou tão humildes como o meu, são abismos sociais sentados lado a lado.
Lá não tem papel, não tem pudor, todos são cantores, atores ... tudo é permitido ser. Lá se perde e se encontra. Lá se busca o fio da vida e o conecta com todos os tempos do verbo ser.


Está tudo logo ali, impregnado nas paredes nas paredes do teatro.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Solidão

A luz apagou
A lua fugiu
O céu não clareou
A estrela não vai brilhar
A festa não haverá
Acabou a vida de marajá
Ninguém vai te querer
Você não vai convencer
Não há vagas para você
Nem sua foto na tevê
Nem os móveis vão ficar
A bebida vai acabar
Os livros vão desaparecer
As músicas vão enteadiar
As palavras vão vagar
A tortura não vai ceder
O relógio vai estagnar
As reminiscências vão entoar
Seu nome vai desaparecer
Só te resta ser só do passado
E dos seus versos ser escravo

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Primaveras da poetinha

"E me Perco, Me Encontro. Perco-me outra vez
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Demoro Agora a achar-me. Mas Sinto ainda que de alguma forma continuo aqui! Simples, Singela! Pura e Completa! Sem Marcas!
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Eu Flor e Eu Giz .Eu Flor de Giz.. Pra Não Haver Notoriedades"
(Tatiane Tosta Alencar)




Para escrever, desenhar ou falar sobre você não é preciso ser explícito. Se fosse para te definir em uma palavra eu arriscaria: observadora. Portanto assim que pensei em tecer [como você mesma diz] umas linhas em prol de homenagem eu sabia que quanto mais nas entrelinhas eu deixasse meu afeto, melhor seria, pois é assim que você vai marcando a vida das pessoas: entrando, sentando e com seu silênio fazendo poema até dos momentos mais triviais ao seu redor.
Não sei muito sobre sua vida, sua família, seus planos de futuro, mas eu sei que você não tira suas vestes de poesia em momento algum, sei também que sua alegria se encontra na simplicidade e que você sabe amar a vida e história do outro sem nutrir inveja. Você diz o que pensa de imediato, e muitas vezes te confesso que não gostei do que ouvi, assim como outras discordei de ti. Confesso mais ainda que há pouco tempo conquistei a sabedoria de ver e reparar na sua essência que não posso negar, é bem diferente das encontradas por ai, antes eu não entendia esse seu silêncio, seu jeito recatado, sua ausência de palavras ditas e em contraponto rios e rios de palavras escritas. Hoje eu sei que se assim não fosse ou se houvesse qualquer detalhe diferente jamais seria a flor de giz que eu conheço.
Não almejo ser sua melhor amiga, nem que você dedique inúmeras linhas a mim, pois talvez eu não seja tão reciproca quanto você merece. Quero permanecer entendendo seu modo de ser, superando nossas divergências e aprendendo um pouco mais da arte de conviver com alguém como você.
Muitas primaveras, palavras [de todas as maneiras] e que a vida lhe presentie com tudo que for possível para dar sequência a sua felicidade.
Digo que te amo, mas fico em dúvida do sentimento que nutro por você, talvez pelas diferenças, pelo seu jeito dispar e pelos encontros que a vida nos deu e ainda reserva eu ainda não sei como dizer sobre qualquer sentimento novo ou antigo que seja. Por hora fico com esse que me parece sincero: te amo!



terça-feira, 1 de setembro de 2009

Insensatez Noturna




Me sentei, arrumei a cadeira, quando me ausenta a paciência a cadeira me parece insuportável, analiso as teclas, dedilho feito instrumento, apesar de sabê-las de cor, hoje vou admirá-las em cada mero casamento com a ponta dos meus dedos, porque não olhá-las afinal? Porque menosprezá-las e exercer um ludismo certas vezes em que me encontro atormentada pelos pensamentos ferrenhos que me vem, elas não tem culpa de serem feitas assim, de assim estarem e de por mim serem tocadas muitas vezes violentamente.

ssdfghjnkm,çl.ç~~]/wqreyu - dedilhando feito piano! Sempre quis tocar, nunca fui atrás de aprender.

Ajeito o cabelo, hmmm, dessa forma não, me caem nos olhos e me tiram o sossego de admirar teclas casadas com dedos., os jogo para trás. Movimento o pescoço, em vão, a inspiração não virá com a auto flagelação nem tampouco punindo as teclas.

Estralar dedos, isso me alucina _______ mas faltou uma palavra aqui, quero deixar mais explicito o que sinto, eu peco nisso sabe? Em querer deixar tudo explícito, com sentido, amarrado, de que me adianta sempre a coerência? Porque não um dadaísmo de vez em quando? Que mal há nisso? Nonsense me soa tão bonito, porque diabos não ser assim?

Pausa para respirar bem fundo. Não me convenço de que nada do que eu fizer trará você de volta. É ridículo isso, mas é verdade! Me sinto uma daquelas menininhas que fazem coração no caderno e guarda papel de bombom.

Esse ranger da cadeira me irrita por completo, do dedinho do pé até o último fio de cabelo.
Me irrita feito você, porque você faz isso comigo? E até quando? Já não sei mais se é a falta de inspiração ou a demasia dela ou se é você mesmo que me transtorna com seus dizeres amorosos implícitos, eu não quero me sucumbir a eles, tenho orgulho e além do mais você tem seus outros amores tão inconstantes quanto esse céu que nós cobre.

Chega, para mim chega!
Chega de palavras, chega de você, chega de tanto dedilhar, chega de mim!

Afinal no final sou só eu, a cerveja da geladeira e as flores que você insiste em dizer que carrego no cabelo.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Para um menino com uma estrela




Porque você é um menino e tem um olhar feito estrela que mesmo de longe não sai de mim e eu lhe prometo ser eternamente sua, salvo se você transferir seu olhar para outra que lhe agrade mais, o que jamais há de acontecer pois suas retinas são sensíveis e devem ser conquistadas de maneira que só eu sei como deve ser feito e você gosta de pé de moleque, paçoquinha, quer dizer doces de amendoim.
E porque você é um menino com uma estrela e dessa estrela no olhar saíram lágrimas quando você se deu conta que eu podia ser sua e também quando achou que sua eu não iria mais ser. E porque você sonha que eu posso ser de outro, mas bem sabe que isso não tem cabimento e que todos os outros são apenas outros perto de você. E porque quando você começou a gostar de mim era reveillon e estavámos todos embriagados descrevendo as características de um amor desejado e a partir daí você passou a querer se esse meu amor, pois eu queria tudo o que você tinha e almejava. E porque você tem um rosto iluminado, de formato e feições que eu fantasiava nos meus sonhos mais secretos de adolescência enquanto era embalada com as mesmas canções que você do outro lado da cidade. E porque você é um menino com uma estrela eu lhe prenuncio décadas e décadas com a sua estrela a brilhar mais forte que tudo, pelo menos até quando você estiver aqui comigo.
E porque você é um menino com uma estrela e tem um andar sem denominação que pode ser discreto e encantador ou até mesmo efusivo em todo seu lado cômico; e porque você canta e mesmo que insista em dizer que desafina meus ouvidos não consegue perceber isso em meio a toda ternura que vem de ti. E nas vezes que adormeço em seu peito você permanece acordado me admirando e declarando bem de mansinho seu amor, planos e anceios para o nosso futuro e isso me enche de amor e esse seus olhos de estrela podem ficar noites sem fim me olhando sem perder uma ponta de brilho no seu par de estrelas que me fazem sentir acolhida.
E porque você é um menino com uma estrela e roubou meu coração do bolso e adora a comida que minha mãe faz, especialmente o purê de batata e quer que eu faça como ela quando juntarmos a flor com a estrela. E sendo você um menino com uma estrela eu lhe peço que nunca deixe minha flor sozinha como naquele dia que fui ao café e você foi para outro canto iluminar. E se caso um dia tú me abandonar um vazio tão grande há de se estabelecer que homem algum será capaz de se aproximar de mim, pois meus poemas jamais seria intensos para eles como foram para ti. E porque você é um menino com uma estrela que eu conheço desde o nosso primeiro dia eu lhe escrevi diversas linhas com amor contidas nelas, a fim de que na ausência em qualquer circunstância você pode se amparar nelas até cair no sono e eu habitar seus sonhos.
E porque você é MEU menino com uma estrela eu corro o relógio para te ver e por mais que se passem anos meu coração dispara ao fitar seu par de estrelas. Eu sei, ahh como sei, que o meu amor por você é feito de todos os amores de cinema e dos livros que eu me debruço e me delicio, e você é o filho do amor que eu criei idealizado aqui em mim e foi sendo trazido sutilmente para perto de mim ao longo dos meses daquele ano através de encontros esporádicos e cada vez mais indispensáveis - porque você é lindo, porque você é admirável e sobretudo porque você é um menino com uma estrela.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Sobre anos de uma flor

Sobre o encanto em forma de gente.






Posso dizer tudo e posso não dizer nada e sempre carregarei a certeza de que minha mensagem a você foi passada como eu de fato queria, pois você me compreende em todas as línguas, gestos e sentimentos e posso afirmar que certamente isso é recíproco.
Eu tenho tantas coisas para dizer de você e me atrapalho tentando organizá-las para dispor de maneira tão linda e completa como você merece, mas pensando bem é bom um pouco de anarquia, você bem gosta disso não é? Voce gosta de anarquia, cores, chocolates e de ter estilo ... talvez eu pudesse primeiramente te definir assim ao apresentar para uma pessoa, afinal é uma responsabilidade gigantesca apresentar uma pessoa feito você para qualquer outra que seja do mundo, tem que tomar cuidado para não falar muito e sufocar a pessoa ou falar pouco e ela não se interessar em te conhecer pessoalmente, se bem que ai eu poderia forçar um encontro entre você e essa pessoa e eu tenho a absoluta certeza de que ela não precisaria de palavra alguma saltando de minha boca, ela se inundaria de um encanto não sabe-se vindo de onde e veria muitas cores em você e no mundo que se seguiria após conhecer essa ilustre figura. Então não temo mais faltar ou exagerar nas palavras, você é feito um quadro inacabado, que todo dia nos oferece mais cores ou cores já conhecidas porém com um olhar ou luminosidade novo e também um livro com páginas sem fim, que nunca esgota a vontade de te ler, assim é você e assim se seguirão seus anos de vida encantado por ai e eu logo atrás procurando as palavras para a próxima pessoa do seu mundo.


Te amo minha cor, minha flor, minha cara!

sábado, 1 de agosto de 2009

E quando a inspiração foge?

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Quero que as palavras voltem e transponham o grito preso aqui dentro, só elas tem esse poder desmedido de transformar o que se faz calado.
As demais vertentes tem sido tão triviais, eu preciso buscar sem cessar pelas palavras que impõe minhas inspiração, elas de fato me constituem e trazem minha realidade paralela a tona. Eu vivo envolta a ela, se ela não houver tudo há de fenecer, desandar ou qualquer sinônimo que melhor lhe convir que caiba um terço da tristeza que fica aqui.


- Quem vai pagar as contas da inspiração?
- Eu pago com muito grado
- Então pague imediatamente e a terá de volta
- Eu tenho falta de ar, desapego ao mundo, eu tenho tudo quando ela aqui não está, eu te suplico me isente disso
- Não assim não pode ficar. Quero tudo o que possui
- Eu só possuo ela ...

O diálogo mudo dos olhares se estabelecem, a sala vazia e úmida se encheu de agonia como se sufocasse cada poro e quebrasse cada vertebra. A fotografia do lugar era impossível, tudo escuro, frio, vazio, de tão vazio perdeu até a agonia que ali habitava.