terça-feira, 6 de maio de 2008

Decadência?

Acabei de ler o livro 'Aos Meus Amigos' e peguei presa a realidade deles, a uma realidade de quem tem meio século de vida e se pega com questionamentos frustrantes ou até mesmo sem questionamentos, sem vontade de alimentar dúvidas, sem ilusões joviais, sem crenças, sem certeza, com vontade a todo custo de se agarrar em algo que não existe mais, ou nem nunca existiu para dar sentindo ao seu derradeiro.
Essa idéia vaga e momentânea que temos movida pelas emoções de que tudo pode ser perfeito e diferente, se trata de ilusionismo, estamos sujeitos a decepções constantemente e automaticamente a escolhas. Escolhemos quem vamos perdoar, quem vamos priorizar, quem vamos abolir, quem vamos condenar, quem vamos nutrir ... temos essa grande responsabilidade e muitas vezes fugimos dessa constatação e não adimitimos isso nem a nós mesmos, por medo, por horror a isso, por desilusão de ver que aquilo que se pregava no passado parece ter tomado uma forma diferente diante de nós e diante dos fatos. É difícil abandonar o que acreditava outrora, perder se em uma nova incógnita, soa tão banal e tão sofrido adimitir isso, mas lá no fundo, nosso individual sabemos da verdade, por mais que seja negada.
Entramos num cenário de melancolia, saudosismo, tudo toma uma forma bucólica, tudo serve de artifício pra não abandonar essa história acabada, esse sonho não mais desejado, esse ardor não mais incendiado, essa utopia não mais acreditava, esse desejo cessado, esse amor não mais pulsante, essa amizade abandonada, esse prazer que não sucumbe mais ...
E esse viver que já não se encontra sentido e tenta procurar algum deseperadamente afim de replicar a enigmática maior de toda essa aventura: 'E há mesmo sentido diante de tudo isso que vivemos?'

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