sábado, 20 de setembro de 2008

Paralelo




Daqui não ouço e nem vejo
Me abstenho de tudo isso
Como se todo o horror viesse a mim
E violentamente quissese me livrar
Da loucura infame que se estabelece
Da dor que enlouquece
Que vontade de num grito esmagar
E estraçalhar tudo
Que me expreme nesse canto imundo
Que censura meu ser
Me apunhala pelas costas
E me toma o sossego
As desgraças de terceiros
Alastradas ao redor
O descasso com que olham
A mentira que adoram
Tudo me atormenta
Emudece meu cantar
Me escondo entre páginas
Me lamento em palavras
Me silencio em canções
Me alimento de paixões
Recolho minha hipocrisia
Alimento o que repugno no dia-a-dia
E a mudança não chega
Não a ouço, nem a vejo
Não consigo omitir
Eu quero fugir daqui

2 comentários:

Ches. disse...

Desespero

E nada mais...

Raul Vinicius disse...

o melhor seu que eu já li *-*
bom demais, mesmo!

parece que todo mundo ajudou a escrever.