Malas em punho com todos meus pertences de urgência, os restante depois encarrego alguém deles. Enquanto os colocava na mala cada um parecia me contar uma história sobre nós: um café em Paris, a ida ao Louvre, o passeio em Liverpol, a noite em Hong Kong ... tudo se fazia retrospectiva. Achei até os poemas do colegial, aqueles que você me declamava no parque quando cabulávamos aula de Educação Física, junto deles estava as embalagens de chocolate e os rótulos e rolhas de vinhos nas incontáveis noites que fugíamos de casa. Quando fui descer as malas junto com o pó veio a caixa de fotografias da militância na universidade, aquelas reuniões eram um máximo, foi lá que descobrimos o quanto queríamos mudar o mundo lembra?
É incrível como só os momentos bons me vem em mente agora, chega até a ser patético eu me recordar de coisas como essas e deixar para trás os lençóis de outras paixões e as xícaras com batom que não é meu, justo eu que nunca neguei as nossas aventuras repentinas. Lembra quando nossos pais nos julgaram loucos por partir sem mais nem menos para a Europa? E agente com aquela loucura juvenil de colocar só o que era necessário na mala e partir para viver de amor. Pego as chaves, olho uma última vez para o apartamento com a decoração que nós mesmo fizemos, é tarde demais para qualquer perdão, meu coração já se cansou tanto que quase não bate mais.
Nós que vivemos tudo isso, quem diria separar as malas, justo agora que o número de malas seria três.
2 comentários:
Nossa, Lari... Morri. Muito bom mesmo, a cena se fez nos meus olhos.
Adorei, assim como tudo o que você escreve.
ahhh q tristeee.....Core vc eh d+..quando crescer quero ser igual a você inteligenteeee.....Amooo ....
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