terça-feira, 19 de novembro de 2013

quero tudo afoita como quem quer ar
arrebatada como quem acabou de despertar

quero lancinante como soco
quero inebriante como a cachaça

quero feito deletério e mistério
quero verão, escuridão, clarão, inverno

quero tudo
como quem quer o mundo
quero tudo como quem quer
tudo

sábado, 19 de outubro de 2013

Você está tão distante
Que não considera que existo
Leminski não fale em amor
Porque é dor isso.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A tristeza
o descompasso
a melancolia

não se preocupe
hoje acordei pra me vestir
e ser poesia.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

foge do sensato, explicável, mensurável.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Mão com mão
Parece laço
E eu quero
abraço
Companhia no
descompasso
Fazer caber eu e você
Num amasso
E envolver o mundo
Num abraçaço

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Mesmo que mude
Mesmo que enlouqueça
Mesmo que torture
Não deixe que esqueça:

Felicidade
Há de
E..................C..................O..................A..................R

Mais do que essa tristeza está a cortar

domingo, 7 de abril de 2013

um vendaval que se soltou

espalhando-se cor de abóbora no vento
esquecendo-se de tudo
sentindo-se (n)o mundo

sábado, 23 de março de 2013

Somente
Só-mente

somente só

sexta-feira, 1 de março de 2013

Mais vale o que será

Uma cerveja, um jantar, uma transa, um baseado.
A gente enrola no bar, no restaurante, na rua, na cama.
Enrola olhando pra fotos, enrola se olhando no espelho.
Se enrola numa teia de lembranças da qual devemos nos desfazer
E deixarmo-nos levar pelo charme do que poderia ter sido
ou tido
ou dito

Pelos flertes que não terminarão na cama
Pelo leve toque dos abraços demorados
Pelos telefonemas sem sentido
Pelas fugas noite adentro a fim de congelar o tempo
Pelos e-mails salvos em rascunho
Pelos sentimentos que já não conseguimos nomear (ou sentir)
Pelas cervejas quentes e pelos cafés frios
Aceitemos que o tempo passou

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Sufocando arrependimentos

Fechou os olhos e mentalizou:
Antes ferir-se com palavras do que com silêncios
Abriu os olhos e deixou que os dedos pousassem sob as teclas sem pudor.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Do céu pro divã

O altar quebrou, mas ficaram em volta vidros suficientes para cortarem o pé do santo desbeatificado.
As flores secaram e parecem ter convertido-se em espinhos, bem como as velas que derreteram e agora fazem casa para as teias de aranha e restos que atraem ratos.
A imundisse está por todos os lados ocupando o que outrora foi uma atmosfera divina de adoração.
Os fiéis agora fazem procissões para chafurdar seus santinhos na lama ou queimá-los em praça pública.

Essa é a história do santo que desceu do céu para cair no divã.

domingo, 17 de fevereiro de 2013


Praguejou silenciosamente, pois sabia que o que carregava dentro de si possuia raízes profundas, daquelas que apodrecem antes de fenecer.
Você que criou o inferno, ora tem a fineza de nele viver.

Certas coisas não tem como aprender

Optou por explodir pro mundo ao invés de implodir em si mesma.
Já havia inúmeros remendos e cicatrizes mal suturadas.
Precisava que outro alguém pagasse a conta ao menos desta vez.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

She given up talking

Está só e cheia de histórias. Elas pululam incessantemente de todos os lados.

Quando os filmes terminam, pra ela as histórias não acabam não.
Além disso elas brotam de uma canção.

Em casa fita objetos e as histórias põem-se a saltar
No pote de manteiga tem a família infeliz: traição, contas atrasadas e gente mau amada.
Na garrafa d'água tem o mar que tirou um tempo para descansar de tanto (a)mar.
Na janela tem a menina que espera ver além dela.
No chão, na bula de remédio, no colchão ...
Enquanto as tem nunca se deita só não.
Acha-se histórias em doses cavalares por todos os lugares.

É que há tempos ela desistiu de falar, contenta-se agora apenas em imaginar.
A realidade não rima, então prefere seguir de história em história,
A vida lhe parece assim mais afável.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Sobre um combinado

Piscianos anseiam e acreditam em bons ventos mesmo quando se vêem em meio a um sertão de desencanto.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Ninguém naquela cidade ostentava um sorriso tão frouxo e fingido quanto o dela e uma consideração tão simulada quanto a minha.
Um queria ser menos infeliz, o outro menos cético.
Em tempos como esses as máscaras são de grande valia.
Amanheço melancolia
Almoço tormento
Janto agonia
Durmo no tempo
De precipício em precipício
Sigo em vício
Tardo o amanhã

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Olhou-se no espelho,
Mais parecia uma janela onde se desconhece quem está do outro lado.