sexta-feira, 8 de maio de 2009

Transborda falta




Hoje eu consegui escrever sobre você, a dor continua assim como a vida e as lágrimas que não tendem a cessar. Sua falta está aqui tomando seu lugar e com ela ficaram os cafés com bolinhos, as tardes de passeio de bicicleta, as travessuras inocente da infância, os nhoques aos domingos, as sonecas embaladas por você, ficou uma vida inteira feita contigo e outra cheia de vazio sem você aqui.
E se houverem outras vidas após essa, não importa quantas sejam, sua doçura nunca será superada e todo esse encanto que te cerca onde estiver vai brilhar maior que qualquer estrela que se tem conhecimento.
Suas mãos me acompanharam desde a chegada no mundo e eu não queria e ainda não aceito que eu as senti tão geladas e sem vida naquela última vez, justos as mesmas mãos que me acariciaram tanto os cabelos, que embalaram o meu berço e que me conduziram nos primeiros passos
São três anos que me parecem três dias pela dor latente que se segue em mim a cada domingo sem você e que parecem três séculos pelo vazio da saudade que prossegue. Foi se a fase que eu me enganava pensando que você apenas viajou e volta logo, ficaram os sonhos e as palavras das histórias da sua terra, as palavras de consolo e firmeza e toda aquela meiguisse que se tornou sinônimo de você para mim.
Você se foi daqui de mansinho, num sono tão inocente e doce quanto a sua existência!
E eu daria tudo para hoje sentir o seu abraço que ainda está em mim e te dar todo aquele orgulho que te prometi enquanto estava aqui.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Frenesim



Ando seriamente 'estourada'. Me parece que qualquer minimo detalhe vem me irritando, creio que seja o tal stress do dia a dia que nos açoita nessa constante venda de força de trabalho. As coisas para mim tem que ser no velho e nunca fora de moda estilo '8 ou 80', ou gosta ou não gosta, ou quente ou frio, ou é ou não é, nada desses 'fru frus' de reservação em cima do muro e por ai vai, decisões rápidas e eficazes, atitudes instantâneas e todas essas outras impulsividades que fazem parte do cotidiano dos impacientes.
Eu preciso desesperadamente de férias, nunca pensei que eu fosse querer tanto esses 30 dias de marasmo. Me parece que o mundo todo sai de férias, menos eu. Será que é por causa da quase meia década de trabalho sem esse mês de descanso merecido? Irônias a parte eu tô é mesmo uma pilha de nervos oscilando entre esconder todo o cansaço e querendo explodir tudo que causa ódio pela frente.
Juntando essa obstinação por descanso, o sonho do ingresso na faculdade pública e a necessidade pessoal de cultura por todos os poros. Porque convenhamos não aguento mais essa cidade de terceira idade e elite com mente alienada. Nunca tem nada cultural por aqui e quando tem é uma facada no corpo inteiro. Eu quero poder ir ao teatro, museu, shows, todas as manifestações culturais possíveis. Quero me embriagar de coisas boas, me livrar dessa prisão que toma conta inultimente de da minha criatividade (é nem tanto, acho que já sugou quase toda) e força de vontade, de alegria, de tudo ...

Quero menos coisas sem sentido, menos pessoas lutando insistentemente para se aparecer, menos hipocrisia e muuuuita, mas muuuuitas injeções na veia de desejos realizados.

- Me vê, paciência, fritas e uma cerveja por favor? Sem ser skol, ok ? Ahh e também MUITO chocolate!

Tem sempre esses dias que duram muitos dias e traduzem toda a impaciência que nosso ser pode comportar!

sábado, 25 de abril de 2009

Ao tempo



Meu caro ininterrupto e eterno

Oi, como vai você ?
Tô escrevendo assim sem endereço ou remetente pois não sei aonde você está e nem qual identidade está usando dessa vez, sempre escorrendo pelas minhas mãos, correndo por entre os becos e me deixando aqui 'a ver navios'. Te procurei nas esquinas, por detrás da árvores e até no vento e nada de comprender tal paradeiro.
Embora eu não veja efeito algum nessa investida, de teimosia, que você mesmo sabe que tenho muito, vou seguindo essas linhas e afrontando minha própria sanidade. É ... você sempre me veio e se foi tão rápido que eu até questionava os devaneios em excesso prevendo sua impossível volta e me prendendo em pensar em você lá na frente.
Confesso que tenho mais direcionado meus pensamentos no tal do futuro que me deixa obstinada do que naquele passadinho medíocre que me acompanhava, mas e o agora? Tenho me esquecido dele, nessa frenética busca por você, me esqueci de olhar nos lugares mais óbvios e após uma breve olhadela constatei: você está ai, seguindo seu curso e depende só de mim a sua intensidade, velocidade e acima de tudo o quanto vou te acompanhar.
Termino aqui prometendo tirar de suas costas todas as coisas maus explicadas e todas as responsabilidades que insisto em adiar. Te encontro em muito breve!

Atenciosamente,

Larissa

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Sobre o que se foi, é e será

Não sei se nasci agora
Ou se faz um bom tempo
É nascimento atrás de morte
E um renascimento no meio

É montanha
É moinho de vento
É chocolate e capuccino

É poema
É cinema
É um punhado de cd's

São umas fotos
Uma caixa de recordações
E a desvantagem de crescer

É um minuto
Que atropela o segundo
E faz-se instante

E a alma inquieta
Que deixa lá a calma
E faz esse turbilhão

Sei que meu escrever
Quando eu ler de novo
Já não vai ser

Ei de traçar as linhas
Sentir o sabor desse meu ser
Em instantes querer morrer
E a outra ser

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Pela direita, Pela Esquerda



Você quem é?
Está ao meu lado
Há anos sentado
No mecanismo dessa gente

Quem é você?
Que me parece decente
E nesse primeiro olhar
Me mostra tristeza aparente

Será você?
Conhece essa gente?
Conduz um bem comum ?
Ou é apenas mais um ?

Pela direita, pela esquerda
Retorcedendo e adiante
A cegueira me domina
O desconhecimento é constante

Seja você quem for
Quero te conhecer
Saber de tua luta
Do teu bem querer

Olhar para o lado
Poder te saudar
E dar sentido
Para tudo que há de chegar

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Transitório

Vontade de escrever
Meio nonsense
Sem explicação
Pretensão passa longe
Idéias vagam pelo chão
Sentimentos desorganizados
Agonia em remoção
O desejo me possui
Com a loucura em questão
Reproduzo em teclas
O que me açoita
Em vão.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

No meio do meio



Buzina-pessoas-sinaleiro-carros-carroça
outdoorsfeira na rua-comércio-acidente
faixasplacasparafernalhas eletrônicas
fumaçatossecalor-gritos
ondetudotemopoderdetornarseTUDO

Partículas e partículas
Ascensão do caos
De assalto a euforia
Essa anarquia cotidiana
Semana, mês, ano vai

Soneca de olhos abertos
Ondas sonoras no meio
Refeição em frente ao volante
Celular no coração, coração no celular
Perigo constante, olhe adiante

Duas rodas, quatro rodas
Duas portas, quatro portas
Modelo, cor, ano
De terno a trapos
Três, dois, um

Uma solidão conjunta
Tudo torna-se só
Amanheço, entardeço, anoiteço
Eu vou no vento
Eu corro demais