quarta-feira, 10 de junho de 2009

Amargo

E quando vem a incoerência ?

Colocou os pés no chão, a mão no peito que doida em demasia.
A respiração aumentou a medida que os objetos ao lado de tornaram totalmente desinteressantes. A dor e a dúvida desceram corroendo todo seu corpo lentamente como um veneno letal e traiçoeiro, e o que era pior: em doses homeopáticas. Sua vontade era lançar-se contra o vento para ver o que ia acontecer, mas não o fez, só sofreu. Sofreu continuamente e chorou copiosamente cada gota que devia saltar de seus olhos, fez-se um mar imenso e se afundou em si mesmo com todos seus questionamentos e auto-torturas. Lutava contra seu eu interno para que ele aceitasse ao menos um riso forçado para tentarem fazer as pazes, mas ele relutava e não aceitava de forma alguma as pazes, porque sabia que o ponto cuminante de toda essa desordem veio por causa dela.
Ela no fundo bem sabia: era seu próprio deletério.
Mas logo ele se acalma e tudo volta ao que ela chama de 'normal'


Escrever alivia quando falar já não faz mais efeito

sábado, 6 de junho de 2009

Manifesto



Sentados em suas poltronas
Ingerem sem mastigar
A veracidade que vem a tona
Até a chegada do jantar

Conversam com euforia
Risos escandalosos
Traduzem essa alegria
Desses alienados gulosos

Desejo me manifestar
Um grito sobrecomum
Que não tarde a ecoar
E atinja qualquer um

Que os timpanos incomodem
E contagiem sem cessar
Para que se recordem
Da carne viva do outro a latejar



'Mas as pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer ...'

[Veloso e Gil]

domingo, 31 de maio de 2009

Fuga




A palavra falhou
Está embarraçada

No emaranhado de angústia
Foi contida violentamente
E a ausência entrou
Apagou a luz e questionou
- Cadê você?



Só o vento estava lá.
Evaporou.

sábado, 30 de maio de 2009

O mimo de carne e osso

Transposto em palavras


1 metro e pouco de muito estilo

Se me falarem de amizade, especialmente de cumplicidade é de você que vou de imediato lembrar. Você se mantém sempre presente nos relatos da minha vida. Já não há quem conheça a Lari e automaticamente não conheça a Deize pelas histórias juntas e conseqüentemente não queira conhecê-la pessoalmente.
Já falei tanto do nosso conhecimento, mas pouco da nossa ausência cotidiana. Saber que você ia se mudar, mesmo que para a mesma cidade, foi estranho e repentino demais para mim, achava que aquilo ia ficar sempre nas teorias dos seus pais, mas eis que dessa vez se fez prática. Confesso que bateu um medo em mim da gente cair no esquecimento, mas hoje eu sei que ele já foi-se embora. Como você mesma diz, certa como sempre com seus conselhos e palavras cabíveis: 'encontramos sempre uma forma de colocar a vida uma da outra envolvida na sua' na nossa vida mais cibernética do que presencial, mas que se dane que a internet é fria e outros frusfrus que dizem por ai, eu sou tão grata a ela por poder levar um pouquinho de mim até você em meio de palavras e assim poder conter um pouco da saudade que palpita por aqui. Enquanto não posso receber esse abraço acolhedor que vem de você eu fico aqui do outro lado com esse pedacinho de mundo que você me ajudou a construir e traçar um olhar diferente.
Te amo muito e esse espacinho por mais que eficaz ainda é pouco para expressar tudo isso.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Um copo cheio

distância

s. f.
1. Intervalo entre dois pontos, dois lugares, dois objectos.
2. Afastamento.
3. Grande diferença; desproporção; longitude.
4. Espaço de tempo que medeia entre dois factos, duas ocasiões ou épocas.
5. Fig. Diferença entre categorias sociais.




Distância é um assunto complicado. Existem vários tipos de distância: há que é convidada a entrar que é quando já não há mais vontade de ver a pessoa; a que escancara a porta quando o oposto ao sentimento antes sentido se instaura e a que sutilmente entra por debaixo da porta de mansinho que é a dura prova de que de fato não houve um sentimento comum entre as partes. Só não pode se dizer que km o metros são totalmente responsáveis pela distância.
Ela vem de dentro para fora, somos nós os responsáveis diretos por ela e não há ninguém nesse mundo que possa combatê-la antes de nós mesmos. Não há sentimento que sobreviva ao pessimismo ou a realidade que muitas vezes insiste em reinar em nossas cabeças, daí tudo desanda, as flores murcham, a afinidade não é a mesma, as bobeiras antes ditas que rendiam extensas gargalhadas se fazem totalmente sem graça e os assuntos do cotidiano já não parecem mais válidos para se compartilhar e logo já não há mais o que dizer, até o oi é sem gosto. É ai que parece que todos os tipos de distância se fazem uma só, daí surge a nossa dificuldade em saber onde tudo começou e colocamos a culpa na distância em km. Mas onde existe a reciprocidade meu caro, não há lugar para distância, manipulações ou qualquer tipo de blá blá blá que vem sendo mal do nosso século. Onde há reciprocidade há uma trajetória inteira para se percorrer juntos, mesmo que em pensamento e por mais utópico que possa ser nesses tempos em que o individualismo virou filosofia de vida.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Sobre raridade fadada

Poucas linhas para uma pessoa que merece infinitas páginas.



É de uma sobriedade embriagadora que não se descreve em livro nenhum. Ela combina a meninice mais matura e sútil que já se viu nesse mundo! São tantos os seus dotes que sinceramente não me atrevo a tentar descrevê-los por aqui, deixo a curiosadade adentrar e despertar em cada um que queria uma amiga com tantas faces que não podem ser descritas e sim sentidas e perpetuadas com amor no peito.
E em meio a sucos, cervejas, chocolates, idas ao sebo e partilha de segredos, cultura e expectativas vamos tecendo assim as linhas do nosso livro que você me faz querer escrever mais e mais a cada dia.
Como foi bom te conhecer e partilhar dessa alegria de viver contigo que vou levar daqui para qualquer lugar do mundo ou qualquer das vidas que hajam ou não após a morte!

Te amo Ci!

sábado, 16 de maio de 2009

Camponês




Eu quero uma casa no campo para eu poder desfrutar de tudo que há em você.
Simples como o momento que te conheci, aconchegante como seus braços e coberta de sutilezas como quando agente se une.
Uma cozinha para eu poder preparar algo junto contigo, uma cama para eu me aconchegar em você sem fim, músicas para nos embalar, livros para eu te declamar meu amor com as palavras alheias e bebidas para virarmos a noite inteira.
Quando você cessasse nos meus braços te encheria de longos abraços, te cobriria com todo meu amor. E se quissesse caminhar juntinho eu te mostraria a estrela que lá fora só brilha por você. Lembraríamos como de costume da estrada que ficou para traz e de toda paz que vem de você.
Embriagados pela brisa noturna que correria entre os campos nos cobriríamos com aquele cobertor tão pequenino que nos faria um só sobre a luz da lua entre nossos dizeres e o ardor da paixão.