Inspirado na deliciosa noite de ontem.
Subo as escadas e me deparo com as cortinas e as poltronas prontas para aconchegarem os amantes da música e da interprete que se seguirá. As pessoas vão chegando aos montes, aos poucos, sozinhas. Vagarosamente, frenéticamente. Bem trajadas, de ergumentária simples. Entoa a canção. Olhares atentos, risos, troca de palavras ao lado. A canção que se segue! Ah que bela canção, para uns nostalgia, para outros diz tudo do futuro, outros tantos se lembram do amor do passado, um amigo distanciado. Uma música que embala tantas vidas ainda vivas e outras não mais pungentes. O aroma exalado é singular e nunca igual, são combinações de perfumes, bem como de personalidades, de estilos ... são eternos agrupamentos por um mesmo motivo, mas nunca uma mesma interpretação, cada qual traz ao seu modo a linguagem expressada a frente das coxias e dos olhares da platéia. São Marias, são Josés acompanhados de sobrenomes esplendorosos ou tão humildes como o meu, são abismos sociais sentados lado a lado.
Lá não tem papel, não tem pudor, todos são cantores, atores ... tudo é permitido ser. Lá se perde e se encontra. Lá se busca o fio da vida e o conecta com todos os tempos do verbo ser.
Está tudo logo ali, impregnado nas paredes nas paredes do teatro.
3 comentários:
Unn.. me encheu de vontade e beleza, estas palavras.
'aaaaaaaa.... eu queria tanto, tanto!'
Noite boa terminada numa prosa de minutos e cookies!
TE AMO
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