segunda-feira, 4 de junho de 2012
Entrou e revirou tudo o que podia no pouco tempo que lhe fora concedido//
Deixou o quarto revirado, as louças quebradas, os discos no chão e os livros amassados. //
Polpou a caixa escondida no fundo do guarda roupa, por não a ter encontrado//
Não queria causar tanto estrago, só queria ter uma lembrança para chamar de sua, mesmo que já fosse portada por outro. Queria qualquer coisa que a tirasse do estado de tédio e languidez a que seus desafortunados dias estavam fadados.//
Foi-se//
Desconhece-se por onde andou antes da depredação ou depois da mesma//
Provocou a catarse em quadros do tempo, frases antigas proferidas no escuro e em certas sentimentalidades que estavam guardadas na caixa que permanecia intacta, ao sabor do tempo, sobrevivendo a qualquer revelia, guardada no fundo do guarda roupa e coberta por papéis e roupas amarrotadas a fim de ser esquecida e amparada das duas violências.//
Voltou//
ou//
Nunca se(cê) foi?//
Ou (cê) foi-se falsamente?//
Quis partir? Ou ficou só de olho no pequeno feixe de luz que se abriria no instante, que sabia que não tardaria, em que a porta do guarda roupa se abrisse?//
Ouviu-se o rangido da porta e...
Devastou//
Mal o quarto foi arrumado, as louças repostas, os discos e os livros foram dispostos em seu lugar//
Retornaram violentamente ao chão gélido//
E a caixa?//
Correu até ela//
Abriu://
"A poesia aprende-se sendo feliz, mas só sabemos quando somos infelizes"//
A vista escureceu, não foi possível ver se havia restado algo na caixa//
Morreu de sentimentalidade. //
Entretanto não se sabe se de fato as sentiu.
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