quarta-feira, 18 de julho de 2012

Pariu-se e ...

O ódio foi abortado, o útero era inóspito demais para retê-lo. Gerados feito usura no útero da humilhação foram: a raiva, o asco, a insônia, a solidão, a dor e a doença. Sairam do ventre como se fossem um rebento só, sem pai, sem pátria, sem documento. O parto deu-se em silêncio, no frio e no escuro de um quarto sujo e vazio. Não houveram visitas, glórias, flores e sorrisos, só uma mãe abatida, pranto e a esperança de livrando-se da placenta maldita reaver e gozar de dignidade como nos anos dourados.

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