quarta-feira, 18 de julho de 2012
... fez-se nova
Depois de cortar o cordão umbilical da cria indesejada. FEZ-SE NOVA.Lançou mundos no mundo, lançou mesmo, sem medo qualquer. Lançou para ver em qual mundo ficava, lançou as lembranças, lançou palavras, gritos e arriscou-se até a dançar enquanto lançava-se. Lançou-se nos braços da vida, que estava em sua frente com pressa de ser vivida. Lançou-se com a pressa que só conhece aqueles que viveram a gestação perversa.
Lançou-se achando estar refeita. Mas no fundo, não dá pra saber. Só lhe resta LANÇAR-SE.
Pariu-se e ...
O ódio foi abortado, o útero era inóspito demais para retê-lo.
Gerados feito usura no útero da humilhação foram: a raiva, o asco, a insônia, a solidão, a dor e a doença.
Sairam do ventre como se fossem um rebento só, sem pai, sem pátria, sem documento.
O parto deu-se em silêncio, no frio e no escuro de um quarto sujo e vazio.
Não houveram visitas, glórias, flores e sorrisos, só uma mãe abatida, pranto e a esperança de livrando-se da placenta maldita reaver e gozar de dignidade como nos anos dourados.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Entrou e revirou tudo o que podia no pouco tempo que lhe fora concedido//
Deixou o quarto revirado, as louças quebradas, os discos no chão e os livros amassados. //
Polpou a caixa escondida no fundo do guarda roupa, por não a ter encontrado//
Não queria causar tanto estrago, só queria ter uma lembrança para chamar de sua, mesmo que já fosse portada por outro. Queria qualquer coisa que a tirasse do estado de tédio e languidez a que seus desafortunados dias estavam fadados.//
Foi-se//
Desconhece-se por onde andou antes da depredação ou depois da mesma//
Provocou a catarse em quadros do tempo, frases antigas proferidas no escuro e em certas sentimentalidades que estavam guardadas na caixa que permanecia intacta, ao sabor do tempo, sobrevivendo a qualquer revelia, guardada no fundo do guarda roupa e coberta por papéis e roupas amarrotadas a fim de ser esquecida e amparada das duas violências.//
Voltou//
ou//
Nunca se(cê) foi?//
Ou (cê) foi-se falsamente?//
Quis partir? Ou ficou só de olho no pequeno feixe de luz que se abriria no instante, que sabia que não tardaria, em que a porta do guarda roupa se abrisse?//
Ouviu-se o rangido da porta e...
Devastou//
Mal o quarto foi arrumado, as louças repostas, os discos e os livros foram dispostos em seu lugar//
Retornaram violentamente ao chão gélido//
E a caixa?//
Correu até ela//
Abriu://
"A poesia aprende-se sendo feliz, mas só sabemos quando somos infelizes"//
A vista escureceu, não foi possível ver se havia restado algo na caixa//
Morreu de sentimentalidade. //
Entretanto não se sabe se de fato as sentiu.
terça-feira, 27 de março de 2012
d es enc
on t
ro:
perder-se no(do) outro
nada fica em pé
oco
entregar os pontos
perder-se em lágrimas
reinventa-se
sede de (ser) (de) novo
fazer do pranto força latente
reencontro: outros e também mais do mesmo
encontram-se nos beijos, perdem-se as pernas, as frases,
perde-se a mágoa,
embaralha-se o tempo,
perde-se o vazio,
perde-se do desencontro
ENCONTRAM-SE
on t
ro:
perder-se no(do) outro
nada fica em pé
oco
entregar os pontos
perder-se em lágrimas
reinventa-se
sede de (ser) (de) novo
fazer do pranto força latente
reencontro: outros e também mais do mesmo
encontram-se nos beijos, perdem-se as pernas, as frases,
perde-se a mágoa,
embaralha-se o tempo,
perde-se o vazio,
perde-se do desencontro
ENCONTRAM-SE
Dois pêndulos, doze números
desvencilha
diminui
suporta
engana
paralisa
embaralha
seduz o acaso
afaga a tristeza para apedrejar outra vez
mas não atrave-se a medir forças com o engenhoso tormento
ele passa quando bem quiser.
diminui
suporta
engana
paralisa
embaralha
seduz o acaso
afaga a tristeza para apedrejar outra vez
mas não atrave-se a medir forças com o engenhoso tormento
ele passa quando bem quiser.
quarta-feira, 21 de março de 2012
Atormenta-me sua existência, que veio a despeito da minha vontade, existência que veio sussurando-me a dilacerante verdade: "não há mais paz onde achas que há!"
Atormenta-me teus dias mais curtos que os meus, sua beleza efêmera das maçãs comuns, sua imbecilidade jovial e até tua distância, que deveria aliviar-me, traz mais transtorno e escuridão a melancolia que fez casa no meu peito.
Roubou meus dias, meus lugares, minhas canções, meus gostos, meu último gole de vida. Forçou-me a reinventar-me num curto espaço de tempo.
Anseio pela morte de sua figura com a mesma intensidade que desejo no escuro de cada madrugada o último suspiro desse coração dilacerado meu. Só nós sabemos que não há lugar pra três onde encontram-se dois.
Atormenta-me teus dias mais curtos que os meus, sua beleza efêmera das maçãs comuns, sua imbecilidade jovial e até tua distância, que deveria aliviar-me, traz mais transtorno e escuridão a melancolia que fez casa no meu peito.
Roubou meus dias, meus lugares, minhas canções, meus gostos, meu último gole de vida. Forçou-me a reinventar-me num curto espaço de tempo.
Anseio pela morte de sua figura com a mesma intensidade que desejo no escuro de cada madrugada o último suspiro desse coração dilacerado meu. Só nós sabemos que não há lugar pra três onde encontram-se dois.
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