quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

De tanto ...




Saudades tão grandes que não há espaço nessas quatro paredes. Nem o vento que entra pela janela no vai-e-vem das cortinas faz cessar. As páginas de Flaubert por mais brilhantes não me prendem o pensamento por completo. É tão frio como quem anda desnudo nessa brisa noturna, por mais que eu mantenha meu corpo aquecido. E toda essa impossibilidade de te ter me faz padecer minuto a minuto nesse mar de desejo.
Todas as canções que tem embalado meus ouvidos contém você em cada nota. As saudades me tomam e eu a bebo, respiro e transpiro até chegar tua presença colorindo o branco dessa vasta solidão que tem sido tão intensa como cada fração de segundo em que ela é banida contigo.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Divagações cotidianas



E de todo mal meu serei atenta
Conservarei os pensamentos
Mesmo que inutilizados
Farei meu bom grado
E o de quem teje preso

Negarei falsas expectativas após captadas
Mas antes, como de costume, me iludirei com elas
Me inundarei de palavras, cenas alheias e vento
Prevalecendo o culto as artes e o quadro de lembranças
Totalmente indissolúveis

E em meios aos poemas, dilemas e chuviscos de verão
Me encontrarei a mesma
Sem saber dizer quem sou
Nem onde tudo pode chegar
Seja em qualquer estação

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

...

Hoje me permiti sentir todos os sentimentos possíveis, alguns provocados por situações e pensamentos, outros [que vem constantemente aumentando] é o sentimento alheio fazendo morada em mim, outros sem causa definida até o momento. Na verdade eu não me permiti, eu os senti [ou ao menos achei que sim], porque nada se reprime, só se acha que reprime. Confesso que gostei de ter essa total inconstância em tão pouco tempo, parece que eu me conheço mais, e se conhecer nunca é demais e nunca há de acabar, sou daquelas que uma das certezas da vida é que sempre pouco sabemos, sobre o mundo em todos os aspectos e sobre nós mesmos.
O fato é que não há uma inspiração efetiva diária, e eu ainda não consigo me obrigar a escrever obrigatóriamente em determinado horário. Minha inspiração vem e ela não se importa com lugar, horário ou quaisquer outras determinações, ela tem as despreocupações que eu queria muitas vezes não ter.

Pode ser que os dois parágrafos acima não tenham qualquer relação, mas me deu uma vontade imensa de escrevê-los.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Verbo querer no ápice do seu sentido

Palavras-chave: desejo vital
e perpétuo


Ter um apê retrô
Ter um café-bar-sebo-cinema [haja espaço]
Escrever [conseguir] um livro
[Sobre]Viver cercada de arte
Ser jornalista-poeta-cineasta[esse ao menos uma vez]-fotógrafa e ter tempo pra ser pseudofilósofa [não sei se tá escrito certo de acordo com as DETESTÁVEIS novas regras ortográficas]
Trabalhar na Caros Amigos ou qualquer veículo de mesmo cunho
Fazer minhas próprias roupas
Conhecer todos os cinemas, museus, teatros ... possíveis
Dar uma de mochileira ao menos em um mês
Fazer uma coisa notável [aos meus olhos]
Por mais utópico que seja: passar o resto da minha vida [seja o tempo que for] com o mesmo amor e amizade, apenas obtendo agregados no decorrer da vida.
Aprender a tocar um instrumento pra ser ao menos uma estrela frustrada, de preferência violão pra fazer uma RODINHA [e problema de quem dá um de do contra e diz que não gosta de rodinha de violão] pra tocar minhas músicas
Conhecer pessoas, pessoas e pessoas ... [pois no fundo todo mundo é interessante de alguma forma]
Conseguir deixar minhas unhas crescerem pra pintar de vermelho [parece pouco, mas pra minha é um suplício]
Fazer dreads
Se for pra conhecer outro país que seja ao menos tomar uma tequila no México, dar uma voltinha em Liverpol [Londres] ouvindo Beatles, e dar uma de Amélie Poulain em algum café de Paris.
Dar uma de Che e sair de motocicleta por ai
Chegar no 'final' da vida com menos 'crises de meia idade' possíveis
Diminuir meu complexo de inferioridade ao decorrer das realizações acima.

E a tendência da lista é aumentar.
Tenho alguns anos pra realizá-la [eu acho]
E quando eu ler isso de novo vou me dar conta de que não coloquei boa parte do que eu realmente quero. E vou postar algo relativo pelo menos uma vez no início de cada ano.

Pra 2009 se eu passar no vestibular e adquirir um pouquinho mais de cultura [sempre meta anual e alcançada com sucesso, já que é natural do ser humano, ou pelo menos era pra ser] já me dou por satisfeita[ou melhor eu tô dizendo que eu me dou por satisfeita, mas eu NUNCA estou satisfeita comigo, FATO]

Inquieta.

1 mês e 15 dias pra ler e ver filmes como se fosse a última vez [isso é meta própria]
A vontade de se tornar nerd cresce a cada dia, quero ser 1/3 do que as pessoas julgam que eu sou. E tentar ser alguém que eu fui há 6 meses atrás, ando um tanto quanto cansada demais, orra eu lia uma livro em uma semana e agora estou estacionada, faz mais de um mês que não vejo um filme, essa definitivamente não sou eu, é um corpo estranho enrijecido por aqui.
Eu ando paranóica de mais pra essas constatações, mas não deixo de faze-las . E esse blog tá com cara de diário de bordo. Se bem que ele tem 'autônomia' pra ser o que quiser: diário, poemoblog, resenhoblog, artigoblog e todos os blablablog que houver e me der vontade de atribuí-lo.
Eu não me canso de escrever, tô sempre por aqui, ou no 'off' escrevendo coisas não tão interessantes e um tanto loucas pra publicar por aqui.
Inquietude incessante : eu em palavras.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Um dia, três conjuntos de frases, a mesma sensação se estabelece.

Raiz de mim.

Dúvidas e medos brotam. Ahhhh e como!
Brotam feito muda nova em solo fértil e vão tomando conta e formando raizes sempre sufocantes em torno de mim e me perco entre caules, folhas, ramos, frutos e fotossínteses não planejadas.
São tantos os fatores conhecidos e em sua maioria os desconhecidos que podem explicar toda essa árvore de incessantes sensações providas de alguém que não as deseja, mas eu prefiro pensar em quem as ajuda a melhorar e fazer a minha natureza correr em seu curso normal mais e mais uma vez. Eu prefiro e tendo, mas quase sempre me perco nesse meu submundo mental, um lugar que apesar de ser meu eu nem ao menos conheço.
E escrevo, escrevo, escrevo ... me possuo pelas palavras afim de achar uma cura pra toda essa loucura repentina e essa vunerabilidade enraizada.